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Quinta da Fonte
Por João Saraiva

Os registos mais antigos que se conhecem da Quinta da Fonte ou Quinta da Fonte de Santa Margarida, reportam a meados do séc. XVI. À época, a Quinta da Fonte ou Quinta da Fonte de Santa Margarida era uma das melhores e mais credenciadas propriedades do Lavradio, com uma enorme casa de habitação, uma mãe de água que corria ao longo dos muros da marinha de Pedro Alves, com a qual confrontava a nascente ? o velho rego, meu conhecido dos anos 40, entretanto desviado do seu percurso? ele passava junta à curva atrás referida ?, uma bem tratada horta, um pomar, um olival e uma vinha.

Na histórica foto de 1950 vê-se, à esquerda ? para quem saía do Lavradio e seguia pela estrada na direcção da estação dos Caminhos de Ferro ?, a entrada da Quinta da Fonte ou Quinta da Fonte de Santa Margarida, a enorme árvore e a imponência do casarão, também a marinha da Horta, de António Tomás, o António da ?Vinha Grande?, pai de Joaquim Tomás, o ?Quinéu?? e, à direita, a casa de habitação pertencente à Quinta das Palmeiras ? que ainda existe embora em ruínas ?, a marinha Fonte de Cima e o viveiro, pertencentes a António João dos Santos; assim como ainda visível a curva da estrada onde, no momento em que naquele local o ?homem dos sorvetes? se despistou com a motoreta e se ouviu um enorme estrondo, eu e o meu amigo Augusto Vagas, ?Coxelas? (?Coxelas? porque coxeava, pois que em criança, quando andava de triciclo este voltou-se e magoou-lhe, para sempre, um dos ossos do joelho da perna direita), na altura miúdos de calções com 7 ou 8 anos que brincávamos junto à abegoaria do Lanchinha, corremos muros da marinha fora, com as salgadeiras a bater-nos nas pernas; lá chegados e sem ninguém mais à volta, enquanto o ?homem dos sorvetes?, no chão, se contorcia com dores, nós, a medo, ?como quem não quer a coisa?, com os dedos fomo-nos lambuzando de gelado derramado, e, às moedas espalhadas no chão, quase todas pretas, de tostão e dois tostões, apenas tirámos algumas.

Adiante.
Os registos mais antigos que se conhecem da Quinta da Fonte ou Quinta da Fonte de Santa Margarida, reportam a meados do séc. XVI. À época, a Quinta da Fonte ou Quinta da Fonte de Santa Margarida era uma das melhores e mais credenciadas propriedades do Lavradio, com uma enorme casa de habitação, uma mãe de água que corria ao longo dos muros da marinha de Pedro Alves, com a qual confrontava a nascente ? o velho rego, meu conhecido dos anos 40, entretanto desviado do seu percurso? ele passava junta à curva atrás referida ?, uma bem tratada horta, um pomar, um olival e uma vinha.

Em 1545, o seu dono, um tal Pedro de Mendonça, vendeu a quinta a um familiar, Tristão de Mendonça, casado com D. Maria de Albuquerque. A Tristão de Mendonça seguiu-se, ainda da família, Pedro de Albuquerque Mendonça Furtado, filho de Francisco de Mendonça, Alcaide-Mor de Mourão e Governador de Mazagão e de D. Joana de Noronha. O 1º casamento de Pedro de Albuquerque foi com Catarina de Melo (tia de D. Violante Lobo de Menezes, mulher de D. João de Cárcomo e Figueroa, Senhor da Quinta da Barra a Barra, Capitão-Mor de Alhos Vedros e Comendador de Santo André de Pinhel, da família de D. José Maria de Cárcomo Lobo e Figueroa, fundador da SFAL). Deste casamento nasceu Francisco de Mendonça Furtado, também Alcaide-Mor de Mourão e 1º Marquês de Almodovar.

O 2º casamento foi com D. Antónia de Mendonça e Albuquerque, 4ª Senhora da Quinta da Bacalhoa (filha de Jerónimo Manoel, o ?Bacalhau?, Copeiro-Mor do Reino, Comendador de São Mamede de Triviscoso e de São Martinho da Amoreira, e de Maria de Mendonça e Albuquerque): dele nasceram João de Mendonça, Diogo de Mendonça, Maria Josefa de Mendonça, Nuno de Mendonça Furtado, 9º Senhor do Morgado da Bacalhoa, Cónego em Évora, Jerónimo de Mendonça Furtado e Albuquerque, alcunhado de o ?Calça-Larga?, Governador de Pernambuco e Cavaleiro da Ordem de Malta, condenado e deportado para a Índia por conspiração contra D. Pedro II, e D. Luís de Mendonça Furtado e Albuquerque (o da Rua D. Luís Furtado de Albuquerque), 1º Conde de Lavradio, Comendador de Beringel, 54º Governador da Índia e 31º Vice-Rei da Índia, de 1671 a 1677; nascido em 1610 nesta Quinta da Fonte, na altura ainda propriedade da família, faleceu na cidade de Baía, Brasil, em 1677, para onde o barco rumou devido a ter adoecido gravemente e necessitar de auxílio hospitalar, quando da viagem da Índia para Portugal após cessar as funções de Vice-Rei.

Por testamento de 1618, Pedro de Albuquerque Mendonça Furtado instituiu um morgado de sua terça ? acumulado do morgado do Lavradio e marinhas que seu pai lhe deixara ? de forma que os bens vinculados andassem sempre na família Mendonça. A 20 de Fevereiro de 1758, a propriedade passa para D. Teresa de Albuquerque Mendonça Furtado. Em 1769, desaparece o último administrador do morgado e a quinta passa para os Condes de São Payo. O nome é então alterado para Quinta da Fonte de Santa Margarida, devido à existência, por cima da madre de água e voltada para o interior da propriedade, de uma pequena capela dedicada a Santa Margarida. Num nicho, estava uma imagem da Santa e, por cima, uma lâmpada votiva. A entrada fazia-se por uma escada que ficava por dentro dos muros da quinta, onde foi feito um morete sobre um recinto quadrado de lajedo, junto à capelinha, com a intenção de resguardar a abertura da fonte.

Nos princípios da 2ª metade do século XIX, a quinta passa, por escrituras de 27 de Maio e 26 de Julho de 1858, dos Condes de São Payo para Francisco da Silva Mello Soares de Freitas, futuro Visconde do Barreiro. É com este proprietário que a quinta começa a ser delapidada. Primeiro, com a venda dos terrenos necessários para neles passar a linha de caminho de ferro Barreiro ? Vendas Novas, linha inaugurada no ano de 1861, a 1 de Fevereiro (separando assim os terrenos hoje ocupados pelos blocos Soure, Alferrarede, Mirandela e Canas de Senhorim, da passagem de nível até ao túnel); depois, um terreno junto às dependências agrícolas, que serviu para a construção da estação do Lavradio, inaugurada em 1865.

O que da quinta restou, após a morte de Francisco da Silva, ficou para a filha, D. Luísa Angélica Pereira de Mello e, mais tarde, para os Condes de Bonfim, em virtude do casamento de D. Luísa Angélica com D. José Lúcio Travassos Valdez, 3º Conde de Bonfim.

Em 1882, a Câmara Municipal do Barreiro deliberou mandar colocar no velho fontanário, que ficava anexo à Fonte de Santa Margarida, uma placa com as iniciais CMB. Foi o início de uma longa polémica judicial. De um lado, o Conde, que defendia pertencer a Fonte à quinta desde 1769, pelo menos; do outro, a Câmara Municipal do Barreiro, que dizia que a fonte já era utilizada para abastecimento da população antes de 1744 (através de documentos comprovativos), utilização essa que se manteve até à data da disputa. A Autarquia ganhou a causa. Anos depois, em Janeiro de 1920, o Conde de Bonfim vendeu a Quinta da Fonte de Santa Margarida à Companhia União Fabril por 6 (seis) contos de réis... 30 Euros! Em 1930, a Fonte estava em plena ruína, com a água inquinada, a deixar de servir, e a capelinha e o nicho, depois do roubo da imagem da Santa, encontravam-se em total abandono. Anos depois, o ciclone de 15 de Fevereiro de 1941 derrubou parte significativa do eucaliptal (que ocupara todo o terreno cultivável). Novo eucaliptal surgiu da rebentação do anterior, mas também ele foi arrancado, como demolidas foram sendo todas as habitações da quinta. Tudo isto para a construção de vivendas destinadas ao pessoal superior da CUF, hoje igualmente ocupadas por outros proprietários.

Dizia-me um dos últimos moradores da quinta, Raúl Ferreira, entretanto falecido: ?Na altura a quinta só dava trabalho, mais nada! Umas arvorezitas de fruto? um bocado de batata, umas alfaces, umas couves? que era mais para o caseiro? e para a CUF, afinal a dona daquilo, apareceu alguém a semear uma coisa que, depois de apanhada, chamavam de ?esponjas?; tinha o feitio de um pepino, mas mais comprido, que estendiam ao sol para secar, depois tiravam a casca e? acho que aquilo era utilizado na Fábrica de Ácidos! Entretanto apareceu na quinta um tal Manuel Jorge, que se dizia chefe dos terrenos e das quintas que pertenciam à CUF, a pôr lá umas ovelhas e uns porcos; dizia que era para ao talho da CUF... mas? ná!... Acho que aquilo foi um negócio um bocado!?

Alguns registos dos últimos habitantes, alguns bem nossos conhecidos, da histórica Quinta da Fonte ou Quinta da Fonte de Santa Margarida:

O citado Raúl Ferreira, natural de S. Sebastião, Setúbal, empregado na CUF, das caldeiras a guarda, porteiro e fiscal, casado com Francisca da Purificação, de Ezeda, Bragança. Para a quinta veio em 1940, onde habitou uma pequena casa dentro do enorme casarão. No ano seguinte, 1941, ano do ciclone, foi pai de Mário Ferreira (mais tarde marido da Ilda, referenciada mais à frente no ?Sabe Ler?) ? António Costa Gabelão, de Sesimbra, empregado na CUF, com a mulher, Adelina, empregada na fábrica de cortiça Barreiras & C.ª Irmãos (Corticite), e dois filhos, António e Arsénio ? Agostinho Simões Dias (tio de Maria de Lurdes Resende), guarda, na CUF, substituto do regedor do Lavradio, anos 50, quando o cargo era ocupado pelo meu pai, Octávio Saraiva, a mulher, Maria Alberta Ramos, trabalhadora na Quinta e no Adubos, CUF, e a filha, Conceição Ramos Dias ? Joaquim, pedreiro na CUF, e a mulher, Irene ? Portugal, empregado na CUF, a mulher e o filho mais velho, Domingos ? João da ?Quinta?, caseiro, responsável pelas divisões do casarão não ocupadas e pelo tratamento da quinta, a mulher Ana, o filho Zé, que passou para Zé da ?Quinta?, a mulher deste, Júlia, e o filho Zé Marques, também conhecido pelo ?filho do Zé da Quinta? ? Joaquim de Sousa ou Joaquim ?Alpirceiro?, por ser de Alpiarça, a mulher Maria Santos e os filhos Dionísio, Idália, Custódio, António, Alfredo, Ilda e Nelson; família que adoptou a alcunha de ?Sabe Ler?, surgida após o Dionísio (antigo guarda-redes de hóquei em patins da CUF), quando da construção do Posto Médico da CUF, 1942/43 (hoje abandonado), que por ser o único dos trabalhadores da obra que sabia ler, era ?obrigado?, quando possível, a ler o jornal desportivo comprado pelos companheiros. O encarregado da mesma, Raúl Jorge ? antigo jogador de futebol do Barreirense, 5 vezes internacional e ?Barreiro Reconhecido?, em 1984 ?, um dia assistiu à cena a pumba: ?Sabe Ler? para o Dionísio, extensivo à restante família!

E porque não recordar, pergunto a mim mesmo, e são estas coisas a que alguns chamam de lamechices que me transportam num relâmpago para o colo do antigamente, da existência (nascida em finais do século XIX e que voava pelo sadio, repito porque sabe bem dizê-lo e respirá-lo, sadio ar do Lavradio) de duas bonitas quadras que brotavam alegremente pelas bocas de tanta gente:

Eu fui ao largo da Fonte
E bebi água tão bela
Avistei uma capela
E duas marinhas defronte!

A vila do Lavradio
Tem um ar que lhe dá graça
Tem a Fonte a meio caminho
E um coreto na Praça!

João Saraiva

Cachaporreiro

22 - 7 - 2012
15:02
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